terça-feira, 27/10/2026

AVC em mulheres: a importância de reconhecer fatores de risco frequentemente negligenciados

Durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia, que ocorreu entre 7 e 10 de outubro, destacou-se um tema de extrema relevância: a saúde cerebral das mulheres. A neurologista Letícia Januzi de Almeida Rocha, que…

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Durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia, que ocorreu entre 7 e 10 de outubro, destacou-se um tema de extrema relevância: a saúde cerebral das mulheres. A neurologista Letícia Januzi de Almeida Rocha, que atua no Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas e é vice-presidente da Sociedade Brasileira de AVC, trouxe à tona questões cruciais sobre como o acidente vascular cerebral (AVC) impacta esse público especificamente, além de levantar fatores de risco frequentemente negligenciados.

De acordo com Rocha, as diferenças nos efeitos do AVC em homens e mulheres são significativas, principalmente devido a fatores biológicos e hormonais que influenciam a saúde vascular feminina ao longo da vida. Ela enfatizou que sintomas de AVC podem se manifestar de maneira atípica nas mulheres, como fraqueza generalizada, confusão mental e dores de cabeça, o que frequentemente resulta em atrasos no diagnóstico e tratamento.

A médica detalhou como diversos momentos da vida da mulher interagem com sua saúde vascular. Na puberdade, a menarca precoce ou tardia serve como um alerta para futuras complicações. O uso de métodos contraceptivos com alta dose de estrogênio, especialmente em mulheres acima dos 35 anos com outros fatores de risco, também é motivo de preocupação. Durante a gravidez, as mudanças hemodinâmicas podem representar um estresse significativo e aumentar o risco de AVC, especialmente em casos de pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

A menopausa traz uma mudança abrupta na produção de estrogênio, que impacta diretamente na saúde vascular. A neurologista observa que, embora os fatores de risco sejam comuns a ambos os sexos, eles tendem a se manifestar com maior gravidade nas mulheres. Por exemplo, o diabetes aumenta em 27% as chances de AVC entre elas, um dado alarmante que merece atenção especial.

Além disso, Rocha destacou condições como a enxaqueca com aura, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina e a endometriose, que, apesar de não serem estritamente vasculares, têm implicações significativas na saúde cardiovascular feminina. A insuficiência ovariana prematura, que pode ter diversas causas, também é um fator de risco importante, uma vez que a falta de estrogênio pode levar a complicações vasculares sérias.

Esses fatores revelam a complexidade da saúde cerebral feminina e a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa e informada por parte dos profissionais de saúde. A discussão levantada por Rocha no congresso destaca a importância de um diagnóstico precoce e de um olhar atento às particularidades que envolvem a saúde das mulheres, especialmente no que diz respeito ao AVC.