terça-feira, 27/10/2026

Uma proposta culinária japonesa para refletir sobre a passagem do tempo

Em seu novo livro, “A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo”, o filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi provoca uma reflexão sobre a forma…

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Em seu novo livro, “A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo”, o filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi provoca uma reflexão sobre a forma como a sociedade encara o envelhecimento. Com um título que já sugere uma mudança de perspectiva, Kishimi questiona o lamento comum pelo passar dos anos e apresenta uma visão mais otimista sobre a velhice.

Durante suas práticas terapêuticas, Kishimi frequentemente pergunta a seus pacientes se desejariam voltar a ser adolescentes. A resposta, na maioria das vezes, é um retumbante “não”. Essa constatação leva o autor a afirmar que a juventude não é, por si só, sinônimo de felicidade. Influenciado pelo pensamento de Alfred Adler, Kishimi enfatiza a importância do crescimento pessoal e da superação, independentemente da idade.

Ele critica a obsessão da sociedade pela produtividade, sugerindo que o verdadeiro valor de um indivíduo não deve ser medido por suas conquistas. Para Kishimi, o foco deve ser a transformação da própria realidade. “Precisamos nos afastar da lógica da competição e das comparações”, afirma, ressaltando que a verdadeira maturidade envolve reconhecer o próprio valor, assumir responsabilidades e cultivar relacionamentos sem egocentrismo.

A obra também é marcada por experiências pessoais do autor, que aos 50 anos enfrentou um infarto e, no ano seguinte, passou por uma cirurgia cardíaca. A angústia que sentiu diante da fragilidade da vida o levou a uma nova compreensão: “O fato de estar vivo era motivo de alegria para os outros”, reflete, sugerindo que a doença pode servir como um divisor de águas em nossas vidas.

Outro aspecto importante abordado no livro é o papel do cuidador, especialmente em relação aos pais. Kishimi oferece lições valiosas sobre como lidar com aqueles que precisam de assistência, enfatizando a importância de um cuidado respeitoso e sem imposições. “Devemos ouvir nossos pais como se fosse sempre o primeiro encontro”, sugere, incentivando uma comunicação atenta e respeitosa.

Por fim, Kishimi destaca a necessidade de reconhecer os próprios limites e a coragem de admitir a falta de conhecimento. Ele observa que o envelhecimento não garante sabedoria automática e que a desconexão entre gerações muitas vezes é causada por posturas arrogantes dos mais velhos. “Criar distância com frases como ‘você ainda não entende isso’ afasta os jovens e impede o diálogo”, conclui, reforçando a importância de uma comunicação aberta e respeitosa entre as gerações.